{"id":63,"date":"2018-10-16T15:49:29","date_gmt":"2018-10-16T15:49:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.brennomachado.com\/?p=63"},"modified":"2021-10-17T16:30:38","modified_gmt":"2021-10-17T19:30:38","slug":"15-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.brennomachado.com\/index.php\/2018\/10\/16\/15-10\/","title":{"rendered":"15\/10 &#8211; Dia do Professor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Todo dia 15\/10 eu sempre escrevo algo por a\u00ed. Esse ano, no meio do desgosto pela realidade, achei que n\u00e3o conseguiria&#8230; at\u00e9 pensar num caso que me ocorreu. Bora l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro de quando eu fiz oitava s\u00e9rie e de uma professora querida de hist\u00f3ria, se afastou duas semanas para fazer uma substitui\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o. Em seu lugar entrou um professor que tinha l\u00e1 seus 30 anos.<br \/>\nNo primeiro dia de aula para a oitava s\u00e9rie fervente, o professor entra quieto em sala. A sala ignorou, e ele ainda quieto sentou, abriu uma pasta e come\u00e7ou a ler. Ele tinha acabado de receber um roteiro de aulas que a professora efetiva tinha preparado para as semanas de aus\u00eancia. Alguns minutos se passaram e logo ele se p\u00f4s de p\u00e9, e com um vozeir\u00e3o digno de nota cumprimentou a turma e fez algumas piadas. Sem toda formalidade que esper\u00e1vamos de um professor, ele come\u00e7ou a falar como se fosse um de n\u00f3s, e assim ganhou nossa simpatia. Por\u00e9m, para nosso pesar, ele tinha que falar sobre a mat\u00e9ria que foi dada a ele para passar: Egito antigo. As pr\u00f3ximas aulas seriam sobre Egito*. No mesmo instante que ele disse o assunto, tamb\u00e9m come\u00e7ou a dizer que n\u00e3o gostava muito disso e que n\u00e3o fazia muito sentido gastar todo aquele tempo falando de&#8230; Hist\u00f3ria Morta. Ele queria falar de algo que nos ajudasse a entender o agora, que estivesse vivo e que usar\u00edamos. Foi ent\u00e3o que ele come\u00e7ou a falar de &#8220;mais valia&#8221;.<br \/>\nAs aulas seguintes ele fez um apanhado hist\u00f3rico sobre a revolu\u00e7\u00e3o industrial e sobre rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Nunca t\u00ednhamos visto tamanha empolga\u00e7\u00e3o num professor, e tamb\u00e9m nunca tinha visto um sala respeitar tanto o professor, mesmo havendo as brincadeiras rotineiras em sala. Talvez porque o professor entrava nas brincadeiras e ainda sim conseguia nos apresentar o que ele tinha em mente, mesclando um pouco de nossas hist\u00f3rias com seus exemplos. Assim as duas semanas se passaram r\u00e1pido, e na \u00faltima aula, ao final do per\u00edodo ele se despediu e agradeceu&#8230; de forma simples e quase somente gesticular. Eu estava impressionado como ele fora da euforia para o sil\u00eancio em segundos&#8230; e nos instantes que ele caminhou frente a lousa para a porta de sa\u00edda da sala eu levantei de supet\u00e3o da minha carteira (l\u00e1 no fundo &#8211; eu circulava por toda a sala) e comecei a bater palma. Quando o professor j\u00e1 estava com o p\u00e9 para fora da sala a turma inteira estava aplaudindo e agradecendo o show e aprendizado que tivemos com ele. J\u00e1 no corredor de fora sob olhares de inspetores e demais funcion\u00e1rios que estavam pro lado de fora e assistiam a cena, virado para sala ele agradeceu novamente. Ap\u00f3s isso, nunca mais o vimos.<br \/>\nMuitos anos mais tarde (2015) eu me deparei em meu trabalho com uma ficha de inscri\u00e7\u00e3o num processo seletivo de professor com um nome conhecido: Anfr\u00edsio. Era o professor substituto da oitava s\u00e9rie. O nome peculiar n\u00e3o me deixou com muita d\u00favida. Achei legal, continuei o trabalho e fiz o cadastro&#8230; tinha outras centenas para terminar.<br \/>\nNo in\u00edcio desse ano, quando refletia sobre a doc\u00eancia, me veio a cabe\u00e7a a cena dos aplausos na oitava s\u00e9rie, e quase de imediato um sentimento de gratid\u00e3o pela consci\u00eancia que tomei naquelas aulas, que me fizeram mais humano e mais \u00e1vido a entender a realidade e nossas rela\u00e7\u00f5es. E como se eu retornasse novamente uns anos atr\u00e1s, me veio a cabe\u00e7a o n\u00famero** que cadastrei em 2015. De pronto anotei e mandei um oi por WhatsApp&#8230; por\u00e9m, como era de se esperar n\u00e3o recebi not\u00edcias. Afinal, qual a chance d&#8217;eu lembrar o n\u00famero de cabe\u00e7a anos depois? Pois bem, poucos dias depois recebo uma mensagem de volta, perguntando-me quem eu era. Expliquei que mandei a mensagem pensando que seria o n\u00famero do Anfr\u00edsio. Ent\u00e3o a mo\u00e7a que estava respondendo me disse que era a esposa dele, e perguntou se eu queria falar um pouco com ele.<br \/>\nNesse dia eu recontei aquele dia da oitava s\u00e9rie. E que de certa forma tinha mudado minha vida. Agradeci muito e falamos um cado de nossa vida subsequente a forma\u00e7\u00e3o do ensino b\u00e1sico.<br \/>\nFoi gratificante e importante para mim tudo isso. Agrade\u00e7o ao Anfr\u00edsio meu professor substituto de duas semanas na oitava serie e a muitos outros que tive depois disso e que eu poderia escrever um livro com diversas hist\u00f3rias edificantes para mim. Podemos fazer diferen\u00e7a sim para os alunos, n\u00e3o se esque\u00e7am disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado e feliz dia dos professores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Pros egipt\u00f3logos de plant\u00e3o, eu gosto do Egito e sua hist\u00f3ria.<br \/>\n** N\u00e3o foi a \u00fanica vez que me lembrei de um n\u00famero de telefone anos depois de t\u00ea-lo visto. J\u00e1 me ocorreu outras (2?) vezes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo dia 15\/10 eu sempre escrevo algo por a\u00ed. Esse ano, no meio do desgosto pela realidade, achei que n\u00e3o conseguiria&#8230; at\u00e9 pensar num caso que me ocorreu. 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